quinta-feira, 15 de março de 2012

Filmes favoritos para todo o sempre...

... Ou que eu imagino que sejam.

Você tem algum filme que acha que irá assistir até morrer e não vai enjoar? Não estou falando de um filme que você verá todo bendito dia, mas sim um que você vê num ano, depois vê em outro, passa vários anos e você acha que ainda vai ter vontade de assistir como se fosse um filme qualquer que você não tenha visto. Você, assim como eu, deve ter vários prediletos. Os que eu consigo pensar que assim serão estão abaixo.

Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller's Day Off) - 1986

Esse filme é com certeza o primeiro da lista.
Assisto esse filme desde que me entendo por gente, antes mesmo de eu pensar do jeito que penso, de ter essa personalidade que tenho, antes de tudo. E apesar de ter mudado (muito), continuo achando o filme incrível.
Não sei se tem o que falar dele. Todo mundo que eu conheço adora, é meio que regra geral, assim como o seriado Friends. Todos já falaram o que tinham que falar sobre esse filme.
Talvez seja o único filme dos anos 80 (esse estilo particular: "oh! o mundo é lindo!") que eu realmente amo, que não acho brega e nem tosco. Esse filme é o clichê "grito de liberdade". Ele é incrível. Impossível assisti-lo e não ficar com vontade de participar de um "bloco de rua", de ir ao museu, de voltar pra época de escola e mentir pros seus professores várias vezes só pra sair daquela aula insuportável (faltar de uma aula da faculdade não tem graça, rsrs), de andar de carro conversível (minha paixão por carros conversíveis só existe por causa desse filme, eu nem ligo pra carros).


De Volta para o Futuro (Back to the Future) - 1985

Não a trilogia, só o primeiro filme, hehe. Não que a parte dois ou a terceira sejam ruins, só não são tão legais quanto a primeira, e eu sempre assisti a primeira... Fui assistir às outras partes só depois de velha, não sei com quantos anos a segunda e com uns dezessete à terceira.
É aquela "outra dimensão" em que a sua mãe se sente super atraída por você, você inventa o rock'n'roll, o skate, e faz com que a sua família fique melhor, muito melhor do que era.
Alguém não gosta desse filme, também? Impossível. Tem uma história muito legal, comédia na medida certa, personagens muito bons e etc.
De novo, de novo! "1,21 GIGAWATTS???!!!"







E o Vento Levou... (Gone with the Wind), 1939


Deve ter sido o primeiro filme super antigão que assisti na minha vida. Assisti uma primeira vez quando era bem criança, e só depois de velha, ou seja, ano passado, haha.
A história desse filme é incrível (dizem que o melhor filme do mundo é O Cidadão Kane, eu discordo, é esse). Os personagens são ótimos, super "reais", só existe uma personagem realmente generosa e com bom coração, que é a Melanie Hamilton.
Vivien Leigh é incrível na personagem Scarlett O'Hara, que é uma ótima personagem. Incrível como ela é forte seguindo seus princípios egoístas. A mesma coisa com Clark Gable. Acho incrível esses personagens imprevisíveis... Rhett Butler ama Scarlett O'Hara, mas às vezes ficamos com sérias dúvidas quanto a isso ao vê-los juntos. O amor é complicado.
Esse é o filme que as atuações superam quaisquer dificuldades de retratar cenas de guerras, ou até mesmo cenas mais leves, como o tapa que a Scarlett aplica na empregada na hora do nascimento do bebê de Melanie Hamilton. O que na verdade, eu diria que até caracteriza a grandiosidade dos filmes de antigamente, era mais difícil encobrir a falta de talento de atores, diretores, etc.
As pessoas geralmente adoram este filme por causa das frases, como "frankly my dear, I don't give a damn", e outras. Sei lá, o que eu realmente gosto é da Scarlett O'Hara. E também o fato do filme ser atemporal. E quem sabe, um dia eu arrume outras justificativas, se é que é preciso.

Quase Famosos (Almost Famous), 2001


O que falar desse filme? Não acho que é preciso convencer alguém a gostar do filme, é automático. Se você gostar de rock, ou simplesmente adorar filmes legais, você vai amar esse.
O filme é super cool: trilha sonora de primeira (do mundo rock dos anos sessenta e setenta, óbvio); uma banda nova que está em tour por várias cidades; Lester Bangs; discos, discos e mais discos (o filme é uma aula de rock); muito Led Zeppelin (é claro que são as melhores músicas).
Tem uma história bem escrita até, claro que deveriam haver coisas mais obscuras da época e tal, mas acho que se tivesse, não seria a mesma coisa.
Esse filme é baseado no período de vida que o Cameron Crowe viajava junto com as bandas Led Zeppelin, Eagles, Allman Brothers Band, Poco, Lynyrd Skynyrd e outras.
Ao assistir esse filme, se prepare, você vai ficar tentado a largar essa vida e tentar montar uma máquina do tempo pra viver naquela época, comprar milhares de discos e ter uma banda.
Porque é isso que eu tenho vontade de fazer todas as vezes que eu o assisto. Eu que o diga, todas as vezes  (na primeira semana assisti quase todas as noites, depois umas outras vezes nas semanas seguintes, e agora eu estou com vontade de assistir de novo, depois de um ano em que devo ter assistido uma ou duas vezes) tive essa mesma sensação.
Sempre espero por Tangerine pra cantar "... I do...".

Mais Estranho que a Ficção (Stranger than Fiction), 2006

Talvez a melhor comédia romântica que já assisti. E a única que não me canso de assistir. Com as outras tenho até vergonha de falar que já assisti e gostei.
Se não me engano esse filme ganhou prêmio como melhor roteiro original, só não me lembro em qual premiação, mas não, não foi o Oscar.
O filme é meio diferente até, atores e atrizes que não são super lindos, com vidas normais (bem normais); e isso é diferente das outras comédias românticas porque tudo nas outras (ou melhor, na maioria) é extremamente artificial, e "coisa de filme".
A história é muito boa. Harold Crick de repente começa a ouvir uma narradora em sua cabeça, e ele vai atrás dela, e com isso ele se afasta mais do trabalho, conhece outras pessoas, se apaixona, começa a estudar guitarra, e outras coisas.
Segundo o professor, o final do livro seria melhor da outra maneira, e pensando bem, seria mesmo, seria sucesso de crítica (eu sou realmente do mal).

Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine), 2006


Esse filme de drama (pra mim é drama e ponto final), é o filme de drama do jeito que tem ser (pra mim), tem todos os momentos e sentimentos que existem em um dia na vida de uma pessoa comum. A vida é assim, você não fica triste, melancólico ou com raiva 24h por dia.
Adoro as situações desse filme, o ato de todos se unirem por causa da garota, de ficarem correndo que nem loucos para entrar na van e gostarem disso, de ter alguém que pense super positivo e confiante, só que na verdade esse é o ser chato da história (e são em todas as histórias pra mim, salvo alguns casos).
Apesar das dificuldades que a família sofre, perdas, situações  embaraçosas, as coisas ficam melhores.





Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice), 2005


Acho que assisti esse filme pela primeira vez no ano passado ou retrasado... Não me lembro ao certo. A única que me lembro é que assisti em algum canal da TV a cabo, junto com minha irmã (finalmente assisti, porque já fazia um bom tempo que estava com vontade de vê-lo), e depois no outro dia reprisaram, e eu assisti, e isso aconteceu outras vezes nas próximas semanas.
Hoje em dia, toda vez que eu vejo que esse filme está passando, eu o vejo, com legendas, sem legendas, pedaços dele. Sei lá, eu simplesmente adoro esse filme.
Adoro os encontros e desencontros dele, a personalidade do Darcy (que é tão parecida com a minha, ou pelo menos é o jeito que me descrevem), os foras no primo, que será o herdeiro de tudo, durante o jantar, e várias outras coisas...




Donnie Darko, 2001


Já fazia um bom tempo que queria assisti esse, mas não me lembrava. Sabe, um problema comum do nosso tempo: várias coisas pra conhecer e tal; e o fato de este ser um filme superestimado por muitas pessoas, não me fazia querer ver tanto assim.
Então a vontade aumentou, comecei a conversar com algumas pessoas que gostavam dele, vi que o meu amor não correspondido adora esse filme, e um amigo também iria assistir quase que ao mesmo tempo que eu... Aí eu assisti, claro.
Adorei. É parecido com Efeito Borboleta, e não igual, e as diferenças são: ele foi feito antes, a história é mil vezes melhor e a trilha sonora tem tudo de bom dos anos 80 (Echo & the Bunnymen, Tears for Fears, Joy Division, entre outras. A cena em que toca Head Over Heels é muito boa, assim como o início, com The Killing Moon, do Echo).
Se você quiser estragar o mistério do filme, assista a versão do diretor, que pra mim não é melhor que o filme "normal", pois lá a história está passo-a-passo. E o engraçado é que as músicas mudam de lugar também, haha.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Metropolis, e porque não 1984?

Em pleno século XXI, onde o máximo é assistir a um filme 3D (de agora em diante 4D até - 4D será o novo teatro? HAHAHAHAHA), com várias cenas de ação, explosivas ao extremo, estou eu, assistindo a um filme da década de vinte, em preto e branco e ainda por cima mudo (sem falar na ausência de algumas cenas, devido a perdas do filme com o tempo, e que foram respostas por pequenos quadros negros narrando os acontecimentos perdidos - radical, não?).

Metropolis, um filme alemão de 1927, não é lá tão difícil de assistir... É um filme previsível até. Infelizmente...

Estou lendo um livro chamado Descaminhos para o Meio Ambiente do Carlos Porto Gonçalves, e ele cita este filme quando tenta comparar a números que são comparados entre países que não tem nada a ver, como a Alemanha e a Nigéria. E no final de todo um raciocínio, que eu não vou conseguir escrever aqui de novo, ele cita este filme (do lado direito), que é uma bela (uma das primeiras) obra fictícia que caracteriza a exploração dos menos favorecidos alemães (e quem sabe imigrantes? - que seria o raciocínio final de Gonçalves) que realizam trabalho exploratório em pró do lucro de um empresário.

Metropolis é baseado na obra literária de mesmo nome de Thea von Harbou, que ajudou Fritz Lang a escrever o roteiro (confesso que acabei de ver - minhas postagens não tem caráter informativo, são apenas minhas impressões e opiniões). E honestamente essa última informação cortou o "meu barato".

A minha intenção com esta postagem era compartilhar o mesmo que aconteceu comigo quando assisti ao filme 1984: a distorção de ideologia. O filme Metropolis é muito "bobinho", ou sei lá, mentiroso. O final do filme é revoltante... 
Eu já ia tecer várias teorias de que Fritz distorceu toda a história do filme original, e etc...

Eu digo isso porque há alguns meses eu li o livro 1984 por George Orwell, que possui um filme com mesmo nome e que foi feito em 1984. A verdade é que o filme é horrível. A partir deste filme, eu comecei a me achar uma completa idiota, porque até hoje eu só li livros e assisti aos filmes e fiquei indignada pela caracterização dos cenários, personagens, e cenas, que ficaram diferentes do que eu imaginei, ou que estão no livro.
Em 1984 o que acontece é tão grandioso que você nem liga se na sua versão em português o nome do aparelho se chamava "teletela" e no filme tem um nome um pouco diferente. O que há em 1984 é uma distorção de mensagem!

Ler ao 1984 é praticamente como prever o futuro, de uma forma um pouco diferente, nós vivemos o que está naquele livro, em síntese é a mesma coisa (você pensa: "Nós vivemos isso! É perturbador! George Orwell é Nostradamus."). Mas assistir ao filme é como ver um filme muito louco e sem pé-nem-cabeça... (você pensa: "Ufa! Coitados! Ainda bem que isso nunca acontecerá..."). Há distorção e reposição de falas, de gestos... Literalmente: no lugar de uma fala, que não causa atrasos no filme, é colocado uma outra que tira todo o significado da mensagem. É pertubador. (Com um pouco de ironia: o filme é uma metáfora do livro, né?. Ou melhor: é uma ótima retratação do que é descrito no livro, né? Que legal! - Legal nada, isso é horrível...)

E isso acontece em Metropolis... O filme poderia ter um desfecho muito menos conformador. É meio que pegar o telefone e xingar o mais alto escalão da sua empresa (a que você tem acesso) e depois se arrepender e beijar o pé dele.

A frase "O mediador entre as mãos e a cabeça é o coração" nunca foi tão revoltante.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Eu ainda prefiro o espírito...

... do rock à "boa" música. Eu digo isso (tardiamente) porque presenciei duas vezes algo que me deixou realmente revoltada. Não ao ponto de atirar uma cadeira no palco, que fique bem claro.

Ano passado, sei lá em quais meses, matei a minha vontade de ver apresentações de música um pouco mais refinadas. Assisti a duas, e pelo menos estas não foram caras.

No início do ano, em minhas amadas férias, que eu aproveito tanto para as "coisas culturais", comecei a ler as revistas Guitar Player, Cover Guitarra e Bizz que tenho em casa, grande parte compradas em sebos (principalmente as Bizz, as outras nem tanto, uma ou duas só - é que eu tenho mais revistas Bizz, haha). E fui descobrindo várias bandas, guitarristas, álbuns interessantes. E na revista Guitar Player conheci um grupo chamado (não consigo chamar de banda) Quatro a Zero, que faz um chorinho elétrico. Além de começar a admirar muito mais o Jazz e suas várias ramificações.

Já no meio do ano (sei lá em quais meses, de novo) conferindo a programação do Sesc Campinas, eu vejo que o grupo Quatro a Zero vai se apresentar aqui. E eu fico toda animada: "Meu primeiro show de Jazz super-crazy-cool!". Não mesmo.

Fui ao Sesc. Antro de pseudo-intelectuais, na sua maioria, ou partes, devo estar exagerando. Esperei um tempinho. Entrei no teatro, e sentei em uma cadeirinha até que confortável.
Apresentaram a turnê do seu terceiro álbum, que na verdade é o primeiro de autoria deles, pois eles são graduados em música pela Unicamp, e no entanto, seus álbuns anteriores foram releituras de chorinhos antigos e desconhecidos. 
Confesso que foi difícil pra mim assistir à apresentação (não consigo chamar de show também): pois eu sou na verdade roqueira, gosto de ver e ouvir rock, e rock de verdade, com emoção saindo pelas unhas dos pés. E assistir a um show sentadinha, com os músicos na sua frente, e não poder cantar, vibrar com o guitarrista, é algo até torturante... Mas até que eu estava com boa vontade, e não foi tão horrível assim.
A apresentação foi linda, vários improvisos, ótimos músicos, melodias lindas:  chorinho é gostoso de ouvir (não por muito tempo, ainda bem que foram só oito músicas, no máximo). Aí, no final da apresentação, todos da platéia ficaram batendo palmas fervorosamente, esperando por uma última música. Sabe o que aconteceu? Eles voltaram e disseram que não tinham uma outra música para tocar. E o pior, iriam tocar uma que eles já tinham tocado. (AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!)

"O QUÊ?!": meu pensamento na hora. Consegue entender isso? Entende toda essa minha revolta? Os caras são formados em música, tem três álbuns lançados, dois não são com músicas deles (!), vivem da música. Me diz: o que eles fazem nos ensaios??? As músicas deles não são arranjadinhas e tal, todos fazem uma base sob partitura e alguém improvisa, e então eles revezam improvisos, e mesmo assim eles não podem tocar uma outra música. Se eles tivessem apresentado umas vinte músicas, tudo bem, só que foram oito e sei lá quantas não eram deles - eu chuto metade.

Então, eu, novamente, um mês ou dois, fui a uma apresentação de jazz, com músicos formados, e o líder do grupo, era professor de improvisação da Unicamp. Final da apresentação - não tinham outra música também. Detalhe: só fizeram releituras de músicas antigas.

O mais engraçado é que antes de ir assistir a um dos shows eu estava assistindo um DVD do Led Zeppelin. Era início da carreira deles, show de 1970, eu acho. Eles tinham dois álbuns lançados, eu chuto umas dezessete músicas, no máximo. Depois de fazerem um show de duas horas eles voltaram e tocaram duas músicas que não eram deles.

Não que jazz não preste e rock sim. Ou que música simples é que é boa. Nem que funk, forró, bossa nova, baião, etc, não são comparáveis, como eu estou fazendo com o rock. Eu só prefiro esse espírito, que está presente nos outros gêneros musicais, inclusive no jazz e nas músicas de gente que realmente estuda música.

Nessas horas eu só quero saber disso, que é muito mais sincero - é o espírito:

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Bandas Independentes

Já fazia um bom tempo que eu estava com vontade de pontuar minha opinião sobre bandas independentes, que tem coisas positivas e negativas.


Acho que tudo o que "ronda" o aspecto de uma banda ser independente é muito interessante, mas já foi o tempo em que eu corri atrás disso, se é que já tive essa vontade a mais. Hoje em dia elas mais aparecem sozinhas do que eu as procuro, seja em: programas de televisão, trilhas sonoras, alguém que me apresenta, e etc.
Mas elas marcam um ponto muito importante da minha vida: quando eu parei com a mania que tinha na escola de ouvir rádio e ouvir somente os singles das bandas. Uma coisa que foi muito responsável por isso foi um seriado que até hoje eu tenho vergonha de falar que assistia, e possívelmente assistiria de novo: The O.C. (mas que, para falar a verdade, eu assisto umas reprises num canal da TV paga).
Sem falar muito do seriado, a trilha sonora era a melhor coisa nele, rsrs. Se não me engano, eles devem ter lançado uns cinco CDs, eu ouvi todos e descobri bandas muito legais, e que até hoje eu ouço, especialmente  The Thrills e Black Rebel Motorcycle Club (bandas que valem posts no futuro).
Foi então que eu vi que valia a pena investir na internet ao invés do rádio, porque existiam coisas boas e até melhores do que as muitas das porcarias que tocavam no rádio. Investir na internet porque, com uns doze anos, eu já baixava músicas na internet, mas eram as coisas mais básicas que se ouvia no rádio e que eu queria ouvir de novo.


Aí eu acabei começando a ouvir bandas mais alternativas, e depois de um tempo, as independentes mesmo, sei lá, tantas: Transmissor, Pata de Elefante, Fuga da Lula, Banzé e outras. Algumas eu nem mais ouço, mas foram importantes.


E hoje em dia, eu acho que se você quiser ter um conhecimento mais criterioso e mais rico, você deve usar e abusar da internet. Ouvir bandas, ouvir as suas influências, ouvir estilos diferentes, de outros países, que tenham instrumentos diferentes. A internet proporciona tudo isso, seja pra fazer download, ou até pra comprar um disco no Amazon ou alguma outra loja que tenha uma abrangência maior, e até comprar o disco de uma banda que você quer apoiar, eu fiz isso com o segundo álbum do Transmissor, mesmo achando ele fraco.


Entretanto, é interessante observar que algumas bandas independentes não são necessariamente alternativas. O Strokes era alternativo e independente, hoje em dia num é mais nenhum desses, e porquê? Ficou famosa, exportou seu som pra trocentos outros países que os imitam. E na verdade, em síntese, o som do Strokes num é muito diferente do som dos anos 60, riffs rápidos que ficam se repetindo pela música inteira e tem um solo no meio, fórmula básica do The Kinks no começo, por exemplo.
Não se engane, eu gosto de Strokes, acho uma banda legal, legal, mas não boa ou ótima. Eu ainda tenho mal gosto pra música, rsrs. Tenho mal gosto pra música ainda, mas não vou ouvir o último álbum deles, na verdade, eu estava com vontade até ver um vídeo que eles soltaram na página oficial do Facebook, em que só de ver o Julian Casablancas com óculos new wave verde e um boné de "mano", que já me decepcionou.
Mas eles são realmente importantes para essa nossa "era", pois antes deles ninguém acreditava que colocar músicas em um site trazia qualquer retorno. E sim, eles colocaram várias músicas, os ouvintes pediram por um show, eles fizeram, o local lotou em pouco tempo e além disso, a platéia contava com pessoas que são reconhecidas no meio musical.

Voltando. Até que certo ponto uma banda é alternativa? Independentes tem aos montes. Mas e quanto ao seu som realmente diferente ou inovador? Alguém me apresenta uma! HUAHUAUHAHUAUHA.
Tirando bandas de realmente difícil acesso, as de fusion e outras muito mais loucas, é super difícil você achar alguma banda que realmente faça algo diferente e até bom. Às vezes chamam atenção ao tom alternativo de bandas que tocam algo que já não faz mais tanto sucesso, como o punk, metal, funk rock. Mas isso num é alternativo, isso no máximo é "revival".
Bandas alternativas no final acabam se resumindo a bandas que não tem gravadora, isso porque o som já  é aceito pela maioria, e até comercializado, como o Strokes, e também White Stripes, Franz Ferdinand, Arctic Monkeys (só citando as de rock), etc. E à primeira oportunidade eles irão gravar um disco e mudar de postura, visual, som e letras para parecer "atraente" ($$$). Ótimo exemplo é o Kings of Leon, e olha que nem era lá aquelas coisas.
Até que ganham o status de serem boas por serem alternativas. Mas não né, uma banda quando é boa, ela tem um som bom, atitude interessante e letras com conteúdo (e não visual! por favor! rsrs).


Se for levado em consideração de que bandas boas ou melhores são as que não tem gravadora, desde quando isso existe? Desde que existem gravadoras? Sim.
Sempre vão existir milhares de bandas que não valem a pena serem comercializadas, porque o som não vai vender, porque o som é muito ruim, porque os integrantes não são bonitos o suficiente, ou não tem harmonia entre os mesmos, ou eles não tem atitude ou visual, etc, sempre há um motivo pra não se contratar alguém que tem talento ou não investir em quem tem força de vontade.

domingo, 30 de outubro de 2011

"Matando a Lombriga"

Gostou do nome do post? hehe. Mas é isso mesmo, eu matei a minha maior "lombriga" esses dias:  ver um show de uma banda realmente boa. Não uma que seja boa por um motivo e por outro não, ou uma que seja boa pra algumas pessoas e pra outras não (o que eu chamo de gosto musical), e sim uma boa mesmo. Uma banda importante, uma banda cujo som é incrivelmente bom, que tem músicos bons, e etc: DEEP PURPLE. Sim, no dia oito de outubro eu fui no show do Purple, hehe. (UHUUUUUUU)

Até hoje eu não tinha ido num show de uma banda boa mesmo, eu tinha ido em show de bandas legais e que eu realmente gosto: Coldplay, Franz Ferdinand, Transmissor e Stereophonics. Eu digo essas coisas com naturalidade (sobre a distinção de 'legal' e 'bom') pra quase todas as pessoas, mesmo não tendo aquela certeza de ser uma alguém que sabe tudo sobre música e etc, não se assuste ou ache que eu sou uma completa imbecil (ou ache, não sei) porque eu estou em constante aprendizado cultural, hehe.

Mas sim, o Deep Purple é realmente uma banda de respeito, muito respeito. Até a segunda saída do vocalista Ian Gillan foi uma banda incrível, sem escorregadas, com discos bons e legais, com incrível carga artística (dentro dos parâmetros do rock, é claro), músicos muito bons (bons mesmo), letras bem feitas, performances incríveis, e muitos outros adjetivos e caracterizações. E hoje em dia também tem uma respeitosa formação: Ian Paice (único membro presente em todas as formações, e o melhor de todos, baterista incrível), Ian Gillan (segundo vocalista e o que esteve presente nos melhores discos), Roger Glover (membro também presentes nos discos clássicos, e que poderia tocar sem palheta, hehe), Steve Morse (guitarrista que deixa qualquer "tocador" de seis cordas com a boca aberta, e que não deve nada ao Richie Blackmore) e Don Airey (não é um Jon Lord, mas também é incrível, em igual comparação talvez). Mas o motivo principal é o Ian Paice, que pra mim, é o melhor membro da banda.

É claro que, como qualquer outra banda antiga, eles "caducaram". Eles não fazem mais hits, mas fala sério, quem vive de hits nessa altura do campeonato? (Não estou falando de ganhar dinheiro, estou falando de apreciar bandas boas por causa de hits, ou uma banda ter mérito por hits, isso é coisa de gravadora e não de ouvintes). Dizer que a parte instrumental do Deep Purple está ruim é bullshit. As músicas deles são boas, podem não ser tão boas quanto as de antigamente, mas naquela época as coisas eram diferentes, tudo era mágico, hehe. (Eu tinha um post em que falava isso, que era o sobre o filme Almost Famous, ou em português, Quase Famosos, que eu acidentalmente deletei, mas assista, você vai entender o que eu tô falando). E retomando a ideia, o melhor membro da banda ainda está lá, porque eu não iria? Mesmo não conhecendo todos os discos? Não mesmo, é claro que eu fui.

(Ahhh, e se você acha que eles não estão bem por tocarem em Nova Odessa, não se engane, eles não tocaram só lá, tocaram antes em Belém, PA, e depois tocaram em Sampa e no Rio. Não, eles não são o que resta do Doors, ou vocalistas fracassados de bandas de metal, rsrs.)

Me lembro que estava no Facebook vendo vídeos e etc, e um colega de campus de faculdade (Diego) me perguntou se eu iria ao show do Deep Purple. Eu congelei: "Já estão vendendo os ingressos??". Ele disse que sim. Eu pensei se iria ter dinheiro pra ir, então ele me deu a salvação: "Tá sessenta reais e é aqui em Nova Odessa." Eu: "Sério?? É claro que eu vou então."

Fui de excursão sozinha, pois o Diego mora em Sumaré, ou seja, praticamente do lado do lugar (praticamente um Via Funchal). E quando cheguei lá no lugar, uma garota, que veio praticamente do meu lado a viagem inteira, puxou assunto comigo. E começamos a conversar sobre música. Ela me contou que tinha ido ao Rock In Rio, e etc. E descobrimos que temos gostos quase parecidos, ecléticos e etc. Bem legal a Jessica. Depois, já na fila (depois de ter andado um bom percurso do lugar onde estávamos até a entrada do lugar), começamos a conversar com o Tiago, adorador de rock clássico, até mais que a Jessica, cara muito legal. E eu estava lá, esperando pelo Diego, e pelo meu ingresso (não faço mais isso, ele tinha comprado meu ingresso e ficou encarregado de levá-lo, rsrs). E ele não atendia o celular, e estava demorando, e eu estava aflita, sentimentos loucos (como essas frases). E o combinado nosso era chegarmos mais cedo para tentar trocar o nosso ingresso pelo de 'pista vip', pois realmente, o show estava barato. Não deu certo, mas não faz mal, passamos o show não na frente, mas na companhia da Jessica e do Tiago.

O que contar do show, hein? Tudo? Não, eu não consigo. Digamos que não foi o melhor show em que eu fui, dificilmente algum show superará o que eu senti com o do Coldplay, mas esse foi realmente muito bom, dá pra perceber pelo Set List:


1. Highway Star
2. Hard Lovin' Man
3. Maybe I'm a Leo
4. Strange Kind of Woman
5. Rapture of the Deep
6. Mary Long
7. Contact Lost/ Solo de Guitarra (Steve Morse)
8. When a Blind Man Cries
9. The Well Dressed Guitar
10. Lazy
11. Knocking at Your Back Door
12. No One Came
13. Solo de Teclado (Don Airey)
14. Perfect Strangers
15. Space Truckin'
16. Smoke on the Water
Bis
17. Going Down
18. Hush
19. Solo de Bateria (Ian Paice)
20. Black Night

Eu não irei comentar o set list todo. Mas como deu pra ver o show começou com tudo: Highway Star é uma música muito boa (só falta a guitarra chegar pra eu conseguir tocar esse solo cheio de 'bends'). E foi muito legal, quando chegava na parte "I'm a highway star" as luzes acendiam, eles tinham um esquema de luzes muito bom, que fazia o público "ficar feliz", ou nos divertia, e não eles bem vistos (eu aprecio isso). Depois Hard Lovin' Man (que eu não conhecia muito, fiquei até tentando me lembrar na hora de qual música era) e Maybe I'm A Leo, um groove muito, muito legal. E então Strange Kind of Woman, eu adoro essa música. Depois de duas músicas, chegou o primeiro solo, o do Steve Morse, o solo mais lindo que eu já vi ao vivo (a segunda parte, pois a primeira é a música Contact Lost, eu só fiquei sabendo depois também, na hora achei que fosse parte do solo, ou seja, na hora fiquei mais impressionada ainda - pena que isso do começo não foi improvisação, senão ele seria incrivelmente melódico):


Knocking at Your Back Door foi meio que uma surpresa. Eu tinha ouvido ela antes, claro, é a primeira de Perfect Strangers, mas ela ao vivo foi tão aclamada, não tinha noção que fosse tão conhecida assim, e sim, ela ficou fantástica, passou a ser uma das minhas favoritas depois do show. No One Came foi algo que me deixou esperançosa: se tocaram essa (que é muito legal, mas não tão conhecida) vão tocar Fireball. Mas não, não tocaram :[. Essa música seria um bom pretexto pra um solo do Ian Paice, mas não, novamente, não tocaram. Eu fiquei triste com isso, afinal de contas: http://www.youtube.com/watch?v=MANZfk8Et9Y. Ouça você mesmo, ela é demais.
Então tocaram Perfect Strangers, sem comentários. E após Space Truckin'. Bom, essa eu tenho que comentar: essa música é a minha Smoke On The Water. Eu até hoje não consigo entender como que se fala tanto de Smoke On The Water sendo que tem essa música no mesmo álbum. Essa música é incrível de tão legal. Eu vou tocá-la em breve, eu não me perdoarei se eu não tocá-la. Eu dancei quando estavam tocando essa música, e o público vibrou bastante (não tão quanto tocaram Smoke On The Water ou Perfect Strangers, mas fazer o quê, são uns tolinhos), dancei mais do que quando o Stereophonics tocou Madame Helga. Depois veio Hush, cover do primeiro álbum, o Shades of Deep Purple, e que eu só fui conhecer esses dias ¬¬; é, eu não conhecia no meio do show, mas ela é super divertida ao vivo. E em sequência, mas não tenho certeza, pois não acho o vídeo no VocêTubo, foi o solo do Ian Paice: sem comentários, só vendo mesmo, o cara é o melhor. E a música que o público mais gostou: Black Night. Até agora eu consigo nos ouvir cantando em coro os "Oh"s, hehe. Assim como os "na na na"s de Hush.

A verdade é que todos os membros fizeram solos, o Steve Morse então fez três, o solo de teclado do Don foi meio viajado e cheio de efeitos (que eu particularmente não gosto muito, sou suspeita, eu gosto das coisas mais cruas, principalmente em instrumentos de teclas), mas ele tocou músicas brasileiras, foi divertido. E o solo do Roger Glover foi legal também, mas poderia ser sem palheta, rsrs.

E algumas coisas foram engraçadas: um monte de gente não dando a mínima pro show, e apontando pra nós dizendo que estavam na frente do palco, e ao mesmo tempo, tinha um solo incrível de algum dos membros, ou então uma música que eles não conheciam; a van da excursão indo embora sem nós, e então fomos embora de carona, sabe, essas coisas, rsrs.

Um show realmente bom, mesmo não tendo sido na frente do palco.

sábado, 15 de outubro de 2011

Pensamentos com Cor

Nessas férias de meio do ano fiz algo que queria fazer a muito tempo: ler algum livro da Virginia Woolf. Mas tinha que ser Mrs. Dalloway, tinha que ser mesmo.
Essa obscessão por este livro começou no filme The Hours (As Horas, 2003) que é baseado num livro de mesmo nome, e que usa o Mrs. Dalloway como "plano de fundo", "base"; meio estranho, mas é interessante. Assisti esse filme há alguns anos, não sei bem quantos, ou foi em 2009 ou em 2010 (mas a verdade é que eu queria assisti-lo bem antes disso, vi o Oscar em que esse filme concorreu e tinha achado bem legal, apesar de ser bem mais nova e não ter a mesma noção que agora), e achei o filme muito bom, e claro que deveria ler a "base" dele. Mas também senti que deveria lê-lo por causa da minha fase emocional (que ainda está firme e forte aqui, infelizmente ou felizmente, quem sabe...): o de não estar bem consigo mesma, em todos os sentidos perceptíveis, ou não, em praticamente todos os momentos.

Bom... O livro é muito bom, óbvio. Tanto por ser uma obra bem conceituada, uma escritora "bem vista", estilo interessante, a maneira de narrar da escritora, a profundidade da história e personagens, etc.
Entretanto esse livro teve o impacto que eu já sabia que iria ter em mim: completa identificação com o jeito de narrar os pensamentos dos personagens (não posso falar que do jeito que os personagens pensam, ou jeito que a Virginia Woolf pensa, pois não me identifico com todos os personagens, e muito menos sei como a Virginia pensava, ou pensa, quem sabe).

O jeito que todas as coisas refletem na mente e ainda mais nas emoções dos personagens é incrível. É exatamente o jeito que eu me pego pensando todos os dias, praticamente. Não é algo simples. Nunca é simples (quem dera se fosse!). Os pensamentos sempre dão voltas e voltas, e sempre sendo "ativados" por elementos externos: é como se de uma hora pra outra seu pensamento muda completamente de foco. A chuva não é uma simples chuva, não é ruim só porque eu esqueci meu guarda chuva, ou porque eu quero que o final de semana seja perfeito: é algo mais que isso! Quem dera se fosse só isso... Começo a me lembrar de coisas da infância, de algum dia na semana passada, do que eu estava pensando ou planejando um dia atrás. Coisas desse tipo.
Esse é o real barato desse livro, nada é simples, tudo tem um "colorido" (mesmo que no fundo seja cinza) a mais.

Não vou nem comentar muito sobre o livro. É um livro muito denso, extenso (apenas a impressão que se tem do livro: porque ele não deve ter mais que duzentas páginas), poucos diálogos, e como já disse, as ideias mudam muito e muito rápido, e o final é o pior: eu não entendi (triste não? rsrs). Sim, admito, sou burrinha, não entendi o final. É um livro que eu terei prazer em reler. E, quem sabe, relê-lo junto com alguns artigos que analisam o livro de formas diferentes.